Marcas da Memória

CAL exibe filmes sobre regimes de exceção

 
A Casa da Cultura da América Latina da UnB recebe, pela terceira vez, a mostra  de cinema Marcas da Memória, evento realizado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, dedicada à memória e à reflexão crítica sobre os regimes de exceção vividos na América do Sul, em especial no Brasil, e seus reflexos no presente.

Constituída por produções realizadas pelo projeto Marcas da Memória, que reúne depoimentos, sistematiza informações e fomenta iniciativas educativas, intelectuais e culturais que permitam a toda sociedade conhecer o passado e dele extrair lições para o futuro, a mostra deste ano é composta por 22 filmes, que serão exibidos quartas e sextas-feiras, às 12h e às 15h, no Auditório Gonzaguinha da CAL (térreo), com entrada franca.
 

Programação

Dia 3 de agosto (quarta-feira)
 
12h
 
30 Anos da Anistia (Brasil). Direção de Luiz Fernando Lobo, 2009, 17 minutos. Retrata a história da ditadura militar no Brasil, a luta do povo brasileiro pela liberdade, pela Anistia. Durante um período sombrio da história do Brasil, ouve-se um grito de esperança e justiça, o povo reivindicou seus direitos e conseguiu. Foram criadas a Lei da Anistia e a Comissão de Anistia, posteriormente. Classificação indicativa: 12 anos
 
Eu me lembro (Brasil). Direção de Luiz Fernando Lobo, 2012, 96 minutos. Eu me lembro é um documentário sobre os cinco anos das Caravanas da Anistia e reconstrói a luta dos perseguidos por reparação, memória, verdade e justiça, com imagens de arquivo e de entrevistas. Classificação indicativa: 12 anos

15h

Labirinto de papel (Brasil). Direção de André Araújo e Roberto Giovannetti, 2014, 29 minutos. Um grupo de pesquisadores do Tocantins busca elucidar eventos envolvendo militantes e o exército durante o período da ditadura civil-militar brasileira na região do então norte de Goiás. Classificação indicativa: 10 anos

Retratos de identificação (Brasil). Direção de Anita Leandro, 2014, 71 minutos. Dois ex-guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar se deparam, pela primeira vez, com fotografias tiradas pela polícia no momento de suas respectivas prisões e processos de banimento. O passado retorna. Classificação indicativa: 12 anos 

Dia 5 de agosto (sexta-feira) 

12h

Damas da liberdade (Brasil). Direção de Célia Gurgel e Joe Pimentel, 2012, 28 minutos. Através de narrativas de mulheres do Movimento Feminino pela Anistia e do Comitê Brasileiro pela Anistia é contada a história da luta pela anistia no Brasil nos anos de 1970, reacendendo o debate sobre um período de repressão e medo que o país jamais deverá esquecer.Classificação indicativa: Livre
 
Duas histórias (Brasil). Direção de Ângela Zoé, 2012, 52 minutos. Tendo como linha condutora a trajetória de dois militantes socialistas na luta contra a ditadura militar brasileira, o filme narra duas experiências diferentes, pois diferentes eram a as concepções políticas que orientavam a resistência à ditadura. Classificação indicativa: 14 anos

15h

Nossas histórias (Brasil). Direção de Angela Zoé, 2014, 72 minutos. Relata histórias pessoais de três pessoas anônimas que lutaram e resistiram de forma heroica à ditadura militar brasileira: Angelina Dutra – Casa de Mãe Casa de Filha, Damaris Lucena – Céu Aberto e Theodomiro Brito – Pena de vida. São narrativas inspiradoras, de coragem e superação extremas, de pessoas que tiveram suas vidas transformadas, mas que nunca tiveram a oportunidade de contar suas histórias. Classificação indicativa: 12 anos

Dia 10 de agosto (quarta-feira)

12h

Em nome da Segurança Nacional (Brasil). Direção de Renato Tapajós, 2012, 45 minutos. O filme tem como eixo narrativo o Tribunal Tiradentes, organizado pela Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, em 1983. Acrescenta às cenas do Tribunal diversos materiais, tanto de arquivo quanto ficcionais, e discute a Doutrina de Segurança Nacional, eixo ideológico da ditadura implantada pelo golpe de 1964, e o efeito que ela teve sobre diversos segmentos da sociedade brasileira. Classificação indicativa: 12 anos

15h

O fim do esquecimento (Brasil). Direção de Renato Tapajós, 2012, 54 minutos. O filme procura personagens que participaram do Tribunal Tiradentes e outros que se destacaram na luta pelos direitos humanos, para retomar a questão da Doutrina de Segurança Nacional, depois de três décadas. Classificação indicativa: 12 anos

Dia 12 de agosto (sexta-feira)

12h

Vou contar para os meus filhos (Brasil). Direção de Tuca Siqueira, 2011, 24 minutos. Entre 1969 e 1979, 24 jovens mulheres estiveram presas na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, em Recife (PE), porque lutavam por igualdade social e pela democracia em uma época em que o Brasil enfrentava uma ditadura militar. Passados 40 anos, o reencontro delas, que hoje moram em diferentes estados do país, traz de volta não apenas os laços de solidariedade que surgiram no presídio, mas também a lembrança de um Brasil que tentou calar vozes e violentar sonhos. Classificação indicativa: 10 anos

15h

A mesa vermelha (Brasil). Direção de Tuca Siqueira, 2012, 78 minutos. Uma mesa vermelha é a palavra de 23 ex-presos políticos. No documentário, senhores jovens subversivos comentam sobre a convivência nos presídios masculinos pernambucanos durante o período militar. Da chegada ao cárcere, do afeto, da greve de fome, do papel dos coletivos dentro da cadeia. O sentimento de pertencimento é o que move este filme. Classificação indicativa: 10 anos

Dia 17 de agosto (quarta-feira)

12h

Repare bem (Brasil/Holanda/Itália). Direção de Maria de Medeiros, 2012, 105 minutos.  O documentário  se move por meio da história de três gerações de mulheres. As câmaras registraram em Roma e em Joure, no norte da Holanda, os testemunhos de Denise Crispim e de sua filha, Eduarda Ditta Crispim Leite. Apesar de longe do Brasil, suas palavras, que falam de exílio e de memória, levam-nos a um mergulho profundo na história do Brasil, dos anos 1970 até a atualidade. Classificação indicativa: 10 anos

15h

Uma dor suspensa no tempo (Brasil). Direção de Vera Totta, 2014, 120 minutos. Durante as filmagens foram visitados espaços físicos que abrigaram a violência no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Nesses locais foram gravados depoimentos de personagens da triste história de repressão, destacando os diferentes processos e experiências vividas nas ditaduras civis e militares do Cone Sul da América Latina. Classificação indicativa: 12 anos

Dia 19 de agosto (sexta-feira)

12h

Ainda hoje existem perseguidos políticos (Brasil). Direção do Coletivo Catarse, 2012, 54 minutos. O filme fomenta o debate sobre a ausência de uma efetiva transição democrática no Brasil, pós ditadura civil-militar,  implantada no país a partir de 1964, identificando semelhanças no agir do Estado, no passado e  no presente, demonstrando que a cultura do autoritarismo permanece arraigada em algumas instituições do Estado brasileiro. Classificação indicativa: 10 anos

15h

Se cada um de nós se cala (Brasil). Direção de Célia Maria Alves e Vera Côrtes, 2013, 68 minutos.  O filme insere Goiás no contexto do golpe militar de 1964. A partir de relatos de anistiados que à época eram jovens estudantes e militantes políticos, o documentário resgata e revela os motivos pelos quais Goiás foi o único estado brasileiro que sofreu intervenção militar e como a ditadura foi cruel com os brasileiros e goianos que ousaram não se calar. Classificação indicativa: 10 anos

Dia 24 de agosto (quarta-feira)

12h

Os advogados contra a ditadura: por uma questão de Justiça (Brasil). Direção de Silvio Tendler, 2013, 130 minutos. Com a instauração da ditadura militar, no período entre 1964 e 1985, o papel dos advogados na defesa dos direitos e garantias dos cidadãos foi fundamental no confronto com a repressão,  ameaças e todo tipo de restrições. Advogados contra  o regime propõem uma profunda reflexão sobre a época em questão, relembrando, por meio de depoimentos e registros de arquivos, a relevante e ativa participação desses profissionais contra as imposições do autoritarismo e na luta pela liberdade. Classificação indicativa: 12 anos

15h

500 – Os bebês roubados pela ditadura argentina (Argentina-Brasil-França). Direção de Alexandre Valenti, 2014, 105 minutos. Durante 1976 e 1983, a Argentina viveu sob uma ditadura militar. Dentre os aterrorizantes atos feitos durante essa época, está o sequestro de bebês e crianças, filhos de presos e desaparecidos políticos ou nascidos em prisões clandestinas ou centros de tortura e extermínio. O grupo Avós da Praça de Maio criou o “Banco dos 500”, uma luta para localizar as 500 crianças a partir de amostras de seus próprios sangues. Hoje, adultos, 114  delas foram encontradas e agora confrontam os dignitários da ditadura, acusados de genocídio e crimes contra a humanidade. Classificação indicativa: 12 anos

Dia 26 de agosto (sexta-feira)

12h

Militares da democracia: os militares que disseram não (Brasil). Direção de Silvio Tendler, 2013, 100 minutos. Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país.  O filme resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática. Classificação indicativa: 12 anos

15h

Lua nova do penar (Brasil). Direção de Leila Jinkings, 2013, 27 minutos. A família de Hiram de Lima Pereira tinha na música e na poesia um elemento central e unificador. Jornalista, ator e poeta, membro do Comitê Central do Partido Comunista, desaparecido político. As filhas cantam a música que Hiram compôs na prisão e as músicas que a mãe, musicista, deixou. A trilha sonora é toda da criação familiar. Um olhar sobre a pessoa, que transcende o contexto político.Classificação indicativa: 10 anos

1964 – Um golpe contra o Brasil (Brasil). Direção de Alípio Freire, 2013, 145 minutos. Aborda a memória do período de conspiração do golpe de Estado, fazendo uma breve retrospectiva desde o final da II Guerra Mundial, além dos primeiros dias da ditadura civil-militar de 1964-1985, dentro do contexto internacional da época, com seus autores e suas motivações.Classificação indicativa: 10 anos

Dia 31 de agosto (quarta-feira)

12h

Manhã cinzenta (Brasil). Direção de Olney São Paulo, 1968, 18 minutos. Um casal de estudantes segue para uma passeata onde o rapaz, um militante, lidera um comício. Eles são presos durante a manifestação, torturados na prisão e sofrem um inquérito absurdo dirigido por um robô e um cérebro eletrônico. Classificação indicativa: 16 anos

15h

Libertários (Brasil). Direção de Lauro Escorel Filho, 1977, 30 minutos. O filme descreve - apoiado em fotos, filmes e músicas da época - a formação da classe operária brasileira, em fins do século XIX e início do século XX. Classificação indicativa: 10 anos

Serviço
3ª edição da Mostra Marcas da Memória da Comissão de Anistia na CAL 
Local: Auditório Gonzaguinha (térreo) da Casa da Cultura da América Latina da UnB (CAL)
SCS, Quadra 4, Edifício Anápolis. Telefone 3321.5811
Hora: 12h e 15h 
Entrada franca

Realização: Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e CAL/DEX/UnB

Brasília, 02 de agosto de 2016 
Núcleo de Comunicação Social da CAL