Coleção Marília Rodrigues

Em abril de 2011, após contatos mantidos com familiares da artista e professora da UnB, Marília Rodrigues, foi iniciado o processo para viabilizar a vinda de parte do acervo pessoal da artista, para a universidade. Frente ao interesse demonstrado pela instituição, foi encaminhado, para trabalhos preliminares, um conjunto de obras, principalmente gravuras da artista e obras de outros artistas que faziam parte da sua coleção pessoal.

Depois de ser realizado um levantamento preliminar e elaborado um termo de recebimento para avaliação sobre a doação, foram consideradas as seguintes situações: obras da artista, assinadas e não assinadas, e obras de outros artistas que integram o seu acervo.

O próximo passo foi a realização do trabalho de inventário, que teve por objetivo preparar o material enviado para subsidiar a avaliação da Universidade, considerando o conteúdo e suas condições de conservação.

Em 12 de abril de 2013, por meio do ato do Decanato de Extensão nº 002/2013, foi designada uma comissão para “avaliar o acervo da artista Marília Rodrigues, bem como providenciar os encaminhamentos necessários para efetivar a doação do acervo para a Universidade de Brasília”. A referida comissão foi composta  pelo professores Ebnézer Maurílio Nogueira da Silva   (CAL/UnB) e Cintia Falkenbach (Departamento de Artes Visuais/UnB), e por Neide Aparecida Gomes (Biblioteca Central/UnB), Anelise Weingärtner Ferreira (CAL/UnB), José Carlos Andreoli e Jeanina Daher.  A comissão considerou a importante contribuição que a coleção representa para o acervo da UnB, pelo seu valor artístico, pelo potencial de pesquisas e trabalhos acadêmicos e pela preservação da memória institucional. A doação foi  finalizada em 2013.

Organização da Coleção

A coleção está organizada em dois núcleos: o primeiro é formado pelas obras da artista -  387 gravuras de diferentes fases, incluindo alguns estudos e 38 desenhos.  O conjunto das obras abrange todo o período de sua atuação artística, permitindo uma ampla visão do seu trabalho.

O segundo núcleo é formado pelas obras de ex-alunos e de outros artistas, como Farnese de Andrade, Yara Tupinambá, Anna Bella Geiger, Darel, Anna Letycia, Léo Dexheimer, Maciej Babinski e Cinthia Falkenbach, que mantiveram um importante contato com Marília. São 221 obras assinadas e 53 obras sem assinatura. Ainda fazem parte desse núcleo, 33 correspondências.

A coleção conta, ainda, com outros materiais como fichas de estudos de cor, catálogos de exposições e cartazes de mostras de gravuras.


Sem título, 1964
37 A x 34,5 L
Gravura em metal

Um segundo conjunto encontra-se em fase de finalização da doação e, em breve, também estará disponível para consulta. Esse conjunto é composto, principalmente, pelas matrizes da artista.

Todo o acervo está disponível para pesquisas e consultas. As consultas podem ser agendadas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo telefone (61) 3321.5811.


Sem título, 1966
53 A x 55 L
Gravura em metal


Sem título, 1967
62 A x 50 L
Gravura em metal

Sobre a artista

Marília Rodrigues integrou o grupo inicial de professores que criou o Instituto Central de Artes – ICA/UnB. Transferiu-se para Brasília, em 1963, onde desenvolveu experiência inovadora como artista e educadora. Foi professora de desenho e gravura, e criou o Núcleo de Gravura onde atuou até se aposentar. Em 1966, após o episódio da demissão coletiva dos professores da UnB, vai para o Rio de Janeiro, retornando para Brasília em 1988, quando é reintegrada.

Nasceu em Belo Horizonte, em 1937. Estudou desenho com Haroldo Matos, em Belo Horizonte, foi para o Rio de Janeiro onde fez aprendizado de xilogravura com Oswald Goeldi e principalmente de gravura em metal no Museu de Arte Moderna, com Edite Behring, Rossini Perez e Ana Letícia. Artista premiada, participou de exposições individuais e coletivas como I e II Bienais Americanas de Gravura (Chile), Arte Brasileira Atual (vários países), VIII e IX Bienal de São Paulo, I Salão de Abril e Gravadores Brasileiros Contemporâneos (NY). Marília Rodrigues morreu em 2009.

Foi professora pioneira da UnB, e uma artista de relevância nacional dentro do grupo de gravadores do Rio de Janeiro. Foi coordenadora da área de Educação Artística no Colégio Andrews (RJ), e, durante a ditadura militar, teve grande atuação contra o regime por meio de sua arte, como demonstra seu álbum de gravuras “Registros”, produzido em 1977.

A obra de Marília Rodrigues tem grande relevância para o estudo da história da gravura brasileira, podendo subsidiar pesquisas e trabalhos acadêmicos.

Brasília, 08 de fevereiro de 2017