Breves utopias

Exposição na CAL está em cartaz até o próximo domingo, dia 21 de agosto

Na sexta-feira (19/08), às 19h, no Auditório Gonzaguinha da CAL (térreo),  acontece um bate-papo com os artistas, curadores e a historiadora de arte, Cristina Dunaeva. O evento faz parte do encerramento da mostra.

Criado, em abril de 1962, pelo arquiteto Alcides da Rocha Miranda, que queria mudar o ensino das artes no Brasil, o Instituto Central de Artes da UnB (ICA) foi projetado com a  “função fundamental de dar a toda a comunidade de Brasília oportunidade de experiência e de apreciação artística”, despertando vocações e incentivando a criatividade e, sobretudo, “formar plateias esclarecidas, que se façam efetivamente herdeiras do patrimônio artístico da humanidade” .

A partir do golpe militar de 31 de março de 1964, a  UnB passou a ser tratada pelo novo governo como foco de subversão. Depois da invasão do campus, em 9 de abril, pelas tropas  da Polícia Militar, a instituição passou a enfrentar enorme desgaste, demitindo muitos professores e  se defrontando  com o afastamento voluntário de outros. Depois de diversas mudanças e enfrentamentos,  a Resolução do Conselho Universitário nº 017/88 criou oficial e definitivamente o atual Instituto de Artes - IdA, que retomou a autonomia perdida nos anos duros da ditadura.

A exposição  Manual de sobrevivência de breves utopias, em cartaz nas galerias da Casa da Cultura da América Latina da UnB, desde 6 de julho, tem o objetivo de pensar a relação entre arte e política  na produção de 22 artistas  que lecionaram ou ainda lecionam  no IdA/UnB, fazendo um elo de ligação entre o passado e o futuro, entre as várias tradições.

Com curadoria de Atila Regiani, um dos jovens professores do Departamento de Artes Visuais da UnB, e Grace Machado de Freitas, professora aposentada e primeira diretora do Instituto, a mostra, de acordo com os curadores, se configura como um inventário de táticas e estratégias de sobrevivência daquilo que não necessariamente existiu, mas persiste, sem espaço ou nome. 

Reunindo ex-professores  como Alcides da Rocha Miranda, Athos Bulcão, Leo Dexheimer, Maciej Babinski e Marília Rodrigues, que pediram afastamento da UnB à época da ditadura militar,  e Gregório Soares, o mais jovem professor do IdA, a exposição olha para o passado e também  se abre para o debate da atual situação política brasileira. “A utopia do passado fracassou,  e temos que pensar a utopia do presente e também a do futuro”, afirma Atila, que acredita que a mostra venha a ter novos desdobramentos, no futuro.

Composta por desenho, pintura, instalação, fotografia, gravura, objetos, esculturas e azulejaria, a exposição conta com trabalhos de Alcides  da Rocha Miranda, Andrea Capi, Atila Regiani, Athos Bulcão, Corpos Informáticos, Douglas Marques de Sá, Elder Rocha, Elyezer Sturm, Gregório Soares, Leo Dexheimer, Maciej Babinski, Marília Rodrigues, Miguel Simão, Nelson Maravalhas, Nivalda Assunção, Oscar Niemeyer, Orlando Luiz, Rubem Valentim, Ruth Sousa, Silvio Zamboni, Stella Maris de Figueiredo e Vicente Martinez.

Serviço
Exposição Manual de sobrevivência de breves utopias
Local: Galerias da Casa da Cultura da América Latina da UnB (CAL)
SCS Quadra 4, Edifício Anápolis. Telefone 3321.5811
Visitação: 7 de julho a 21 de agosto de 2016, todos os dias, das 9h às 19h
Entrada franca
Classificação indicativa: livre
Realização: CAL/DEX/UnB

Brasília, 17 de agosto de 2016
Núcleo de Comunicação Social da CAL