Cronista de ritos

Dia 27, às 16h, tem visita guiada e lançamento de catálogo

O Museu Correios, o Museu Nacional de Belas Artes, IBRAM e Ministério da Cultura apresentam o lançamento do catálogo e visita guiada com a curadora Daniela Matera da exposição Djanira: Cronista de ritos, pintora de costumes – Coleção Museu Nacional de Belas Artes, no dia 27 de julho ás 16h, no Museu Correios. A mostra inédita na capital federal apresenta ao público cerca de 120 obras de Djanira da Mota e Silva, com patrocínio Correios e Governo Federal.

“Djanira: Cronista de ritos, pintora de costumes – Coleção Museu Nacional de Belas Artes” é uma seleção de cerca de 120 obras da pintora Djanira da Mota e Silva, das mais de 800 pertencentes ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes. São óleos, temperas, guaches, acrílicas, gravuras, nanquins, entre outros trabalhos da artista produzidos entre 1940 e 1979. A mostra celebra Djanira, mostrando ao público como sua pintura “antropóloga” atenta ao cotidiano do povo brasileiro, desde labor ao lazer, passando pelo sincretismo religioso, emblemático na constituição do País.

Indústria Automobilística(1962)

A exposição desvela o sensível lirismo do cotidiano que permeia a obra da artista. Djanira foi uma pintora andarilha, que percorreu o Brasil em busca de cenas diárias de populações urbanas e rurais. Do labor ao lúdico, suas obras retratam um amplo panorama do mundo secular e mítico: pescadores, mineiros, trabalhadores do campo, mulheres rendeiras, a costureira, os santos de devoção sincrética.

O encontro corriqueiro do dia-a-dia com a experiência mítica, entre o que se crê e o que se vê, a sinergia entre o fazer artístico e poético (fazer pelo trabalho e pela fé) traduzem Djanira, para além da artista ingênua, para a artista que, sob o hábito, cristaliza a imagem do Brasil.

Para a curadora Daniela Matera, a ingenuidade de Djanira está no modo de ver e experimentar a vida: “Antes de pintar, vemos. Antes de viver, sonhamos. Djanira, sonhou em ser pintora. E o que é o sonho se não um conto, uma estória, um poema? Aquilo que contamos ao outro e a nós mesmos. Djanira evidencia através da sua obra o lirismo do povo brasileiro, procurando, no cotidiano e nos costumes de todos nós, homens comuns, a semear o sonho.”

Painel de Santa Bárbara

Sobre a artista:

Djanira da Motta e Silva nasceu em Avaré, interior de São Paulo em 1914. Ainda jovem, após se recuperar de uma tuberculose, muda-se para o Rio de Janeiro, e instala-se no bairro de Santa Teresa, alugando uma pequena casa, onde instala uma pensão familiar, tendo como hóspede o artista Eric Marcier (1916-1990), que foi também seu professor de pintura. Muitos artistas como, Arpad Szenes, Maria Helena Vieira da Silva e Milton Dacosta, frequentaram a pensão de Djanira. Este ambiente estimulante impulsionou muitíssimo sua prática artística que amadureceu ao longo dos anos.

Ainda costureira, frequentou cursos noturnos no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1942, Djanira expõe no 48ºSalão Nacional de Belas Artes. Em 1943, realiza sua primeira mostra individual na ABI. Em 1945, viaja para Nova York onde conhece a pintura de Pieter Bruegel, uma influência visível em seus trabalhos. A artista também entra em contato com grandes mestres contemporâneos como Fernand Leger, Joan Miró e Marc Chagall.  Em 1952, recebe o Prêmio de Viagem pela obra “Caboclinhos”.

Além de percorrer a Europa, Djanira viajou para União Soviética, que inspirou suas séries sobre o trabalho industrial, e também Brasil afora ao longo de toda sua vida, em busca dos “temas” do país para compor sua obra. Sempre engajada com causas políticas, torna-se uma das líderes do Salão Preto e Branco (1955?). Em 1963, realiza o painel de azulejos Santa Bárbara, para a capela do Túnel Santa Barbara, no Rio de Janeiro (hoje sob custódia do MNBA). Em 1977 o MNBA realiza uma grande retrospectiva de sua obra. Após sua morte em 1979, seu viúvo, Mottinha doa seu acervo ao MNBA.

Serviço:
Exposição Djanira: Cronista de ritos, pintora de costumes – Coleção Museu Nacional de Belas Artes
Lançamento do Catálogo 27/08, ás 16h, com visita guiada pela curadora
Visitação: até 18 de setembro de 2016
Horário: terça a sexta, das 10 às 19h. Sábados e domingos, das 12h às 18h
Local: Museu Correios - SCS quadra 4, bloco A, 256, ed. Apolo - Asa Sul, Brasília - DF, 70304-915.
Informações: (61) 3213-5076
Classificação etária: Livre para todos os públicos.
Entrada Franca - Acesso para pessoas com necessidades especiais

Fonte: Museu dos Correios
Brasília, 26 de agosto de 2016