Exposição Eterna Série

A exposição Eterna série: Ator, mecânica e melancolia, do artista visual Oziel Primo Araújo, em cartaz no Savana Café até 2 de novembro, tem como suporte o papel Paraná. Abaixo, o artista conta os detalhes da concepção do seu trabalho:

“Tem bastante tempo que venho montando esse trabalho, desde o começo de 2000. A ideia inicial partiu do próprio suporte, o papel Paraná. Comecei pintando no papel com aquarela, uma proposta totalmente inadequada, pois a aquarela tem suas técnicas e suporte próprios. Mas, queria isso mesmo, a aquarela no Paraná, queria ver a oxidação do papel com a pintura.

Depois disso me veio a ideia de fazer umas caixas (objetos) com o mesmo suporte. Nessas caixas, venho criando dispositivos bem simplórios que resultam em imagens, que às vezes são construídas com esses mecanismos ou apenas com luzes. Venho chamando esses trabalhos de Eterna série: Ator, mecânica e melancolia.

Construí e juntei vários trabalhos durante esse tempo e agora é possível mostrar o resultado, pois tenho várias peças para formar esse quebra cabeça, lembrando que o papel Paraná tem cor cinza, portanto, uma cor neutra, próximo ao concreto e todo o trabalho segue essa linha de cor.

Agora, onde mostrar?

Um espaço que não seja necessário concorrer a um “edital”, ou a critérios de qualidade que levam muito mais em consideração se você é o boa praça, se você fica ali falando coisas legais nas vernissages, no ouvido do galerista, de curadores e compradores, pois, em nossa cidade venho vendo nitidamente essa postura. Adaptando o termo dos “coxinhas”, o aparelhamento das “amizades”, que é quase sempre um dos critérios para ocupação dos poucos espaços que temos.

Estava eu no Café Savana, olhei para uma das paredes e me perguntei: “Por que não pode ser aqui?” Me dirigi ao dono, e perguntei sobre a possibilidade de fazer essa exposição no local, ele me respondeu perguntando: “Qual data que gostaria?”. Fechamos então a data, perfeito. Fácil a negociação, único critério, ter o trabalho pronto, ter ou não qualidade é de minha total responsabilidade.

Parei e pensei, “porque certos grupos não usam esses espaços, não se misturam? Falam tanto de intervenção urbana, espaços inusitados e democratização das artes e espaços …??…” Mas, acho que esse conceito só cabe sobre certas batutas ou em certos lugares.

Me veio uma vaga lembrança de uma tal Bienal nos anos 90, se não me engano, Documenta de Kassel, no auge da moda e descoberta da intervenção urbana. A Bienal propôs a ocupação dos cafés, isso foi um reboliço na época, mas depois não ouvi falar mais nada, ou melhor, certos grupos de artistas só se dispõem a essa proposta se ela vem institucionalizada, acredito que ocupariam esses espaços se fosse proposto por uma academia ou Bienais.

No caminho contrário, sempre me disponho a encontrar e construir outros lugares na cidade para ocupação, furando esse bloqueio e limitação, em que o critério seria apenas a produção do artista. E nessa veia vou aqui mostrar o resultado de mais um trabalho em forma de uma individual, ocupando um espaço que, acima de tudo, está sendo acolhedor, e espero que os artistas de setores diferentes estejam um pouco mais atentos a essa questão.

Então, é com grande prazer que convido a todos vocês,
a mais essa correria: ‘Eterna série: Ator, mecânica e melancolia’.

Gracias”.

Serviço
Eterna Série: Ator, mecânica e melancolia
Local: Café Savana (115 Norte)
Visitação: até  2 de novembro, de 17h às 01h

Mais informações: (61) 3347-9403

Fonte: site Acha Brasília