Aquários e escafandros

Exposição, no Museu Nacional,  celebra legado de Miguel Simão

A rica trajetória do artista Miguel Simão pode ser conferida  na exposição Miguel Simão e dr. Simoncoast - Aquários, escafandros e outros dispositivos, um passeio que engloba as linguagens da escultura, desenho, objeto, intervenção urbana e instalação. Em cartaz no Museu Nacional da República, desde 21 de março, a mostra celebra os 25 anos de caminhada artística de Simão, escultor e pintor nascido em Araguari (MG), radicado em Brasília.

Seu legado como escultor e professor de Escultura do Departamento de Artes Visuais da  UnB perpassa uma longa pesquisa que envolve muitas técnicas, procedimentos e elaborações conceituais. Formado em Artes Plásticas pela UnB, com habilitação em pintura, o artista e professor formou várias gerações de artistas ao longo dos anos.

Foto: Mauricio Borges

A exposição tanto homenageia seu legado, quanto remete à própria história da Escultura e seu potencial de trânsito entre outras linguagens. A montagem se configura em um mergulho no universo do artista, que transpõe uma peculiar seleção de suas obras do ateliê para o espaço expositivo, com curadoria de Rogério Carvalho.

O artista, em sua maturidade, revela seu processo manual e conceitual em um espaço que se abre para o público de Brasília. Simão flerta com o universo popular e com o mundo pré-moderno, num viés que tributa à figura humana ao incitar ilusões de sua representação, mas ele está mesmo é atrás da humanidade possível, hoje quase inviável.

A mostra apresenta torres-totens, escafandros-míticos, sapatostrans, cabeças clássicas-arquetípicas, desenhos em diferentes técnicas, que reunidos evocam o universo de uma persona diversa, que flerta com o sonho, o fetiche, o palpável e o invisível. Todas as obras se relacionam com algum limite concreto de contenção e são imersas nessas limitações aquosas, aeradas e atmosféricas.

Foto: Mauricio Borges

Quem é Dr. Simon Coast?  É o duplo de Miguel Simão. "É ele quem faz intervenções e tem uma pegada supostamente internacional. Ele vai estar presente em algumas obras e na parte textual. Como surgiu o Dr. Simon Coast? "Foi no Facebook. Comecei fazendo crítica de arte e depois descobri que arte não tem espaço para a crítica, a arte se tornou uma atividade globalmente acrítica. Eu mesmo perdi meu espaço enquanto artista regional e com ligações com a cultura brasileira nas suas peculiaridades e contradições. O dr. me deixou respirar, mesmo que com ajuda de aparelhos".

Programa educativo  - Mais do que expor os 25 anos de trabalho  do artista, a mostra visa acordar para processos criativos que raramente saem do ateliê, em uma ampla pesquisa de um escultor que tem uma rotina de produção monástica, onde produz obras em materiais diversos como pedra, madeira, bronze, metal, fiberglass, e também comete apropriações na criação e na construção de sua obra poética.

No processo de execução do projeto que resulta na mostra, Simão fez diversas incursões e pesquisas que envolveram grupos de alunos que participaram recentemente de um curso de verão na UnB. Na ementa, a execução de obras que integram a mostra. O curso de verão terminou e alguns colaboradores permaneceram na execução do trabalho, com ações que reafirmam o processo colaborativo.

Seu trabalho já nasce de um processo que perpassa a transmissão do saber prático. As visitas orientadas, propostas pelo Programa educativo, tratam do processo escultórico a partir da trajetória de um artista que vive em Brasília e atua em um espaço que é ao mesmo tempo ateliê e sala de aula. Ambientes contíguos e complementares.

Como enfatizar a prática da escultura, instalação, objeto, intervenção urbana a partir do Desenho? Que etapas de execução um projeto pode vir a ter? Qual a melhor técnica para executar determinada ideia? Como funciona um atelier de escultura? Qual a rotina do artista? São algumas perguntas suscitadas pelos mediadores do Programa Educativo da exposição.

O projeto tem apoio da UnB e do  Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do DF.

Serviço
Exposição Miguel Simão e dr.Simoncoast – Aquários, escafandros e outros dispositivos de Imersão
Local: Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios)
Visitação: até 30 de abril de 2017, terça a domingo, de 9hàs 18h30
Entrada franca
Classificação: livre
Outras informações: 61 3325.5220 e 3325.6410
Agendamentos do Programa Educativo: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e 61 99326.6390

Fonte: site Desfrute cultural/ Portal UnB

Brasília, 3 de abril de 2017