Caixa-preta

Celso Brandão revela a alma do povo sertanejo em imagens

Considerado hoje um dos mais aclamados fotógrafos brasileiros, Celso Brandão  ocupa a Caixa Cultural de Brasília com a exposição Caixa-Preta. São 66 anos de histórias, de memórias registradas por suas lentes únicas. Lentes de quem vê o povo, a cultura popular com todas as suas nuances, dores e simplicidade daqueles que lutam para sobreviver no Brasil. Um registro das terrinhas alagoanas, do Sertão e de todo o país.  Ele mostra, pela primeira vez no Brasil, sua pesquisa de anos que deu origem à exposição e livro homônimo.

A mostra, onde a poesia se exala nas fotos, conta com 56 retratos que revelam a essência do povo sertanejo. Os cliques migram pelo interior de Alagoas e registram suas peculiaridades. São índios, negros, brancos, expressões marcantes, realistas e intensas, cultura e crenças populares reveladas com a intensidade dramática, porém, não menos realista deste artista que joga com luzes e sombras e colore no preto e no branco.


Mascarados no Carnaval, Porto de Pedras, AL © Celso Brandão, 1997

Nascido em 1951, na cidade de Maceió, Celso Brandão é fotógrafo e cineasta. Alguns dos seus trabalhos pertencem hoje à Coleção Pirelli, de 1996. Desde pequeno, se interessou pela arte, pela pintura e chegava a passar o dia inteiro brincando com barro. Queria fazer teatro, mas na época não havia aula na região. Criava então histórias com fantoches. Do pai, ele herdou a essência nômada e, da mãe, a veia artística.

Brandão fez filmes como o seu primeiro e premiado documentário Reflexos, sobre a Lagoa Manguaba, em Alagoas. A produção ganhou primeiro lugar no Festival de Cinema de Penedo. Rodado com uma câmera Super 8 emprestada por uma amiga. Assina ainda como diretor Filé de Pombal da Barra, Mandioca da Terra à Mesa, Benedito: O Santeiro, Dede Mamata, Ponto das Ervas, A Singeleza da Singeleza. A Casa de Santo, Memória da Vida e do Trabalho (1ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico) Chão de Casa, Mestra Hilda, Mestre Benon, o Treme Terra, este dele e de Nicolle Freire, O Lambe-Sola, as opiniões de Celso Brandão sobre o popular poeta Antonio Aurélio de Morais.


Paloma, travesti e costureira, Porto da Rua, AL © Celso Brandão, 1993

Serviço
Exposição Caixa-Preta, de  Celso Brandão
Local: Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul Quadra 4 Lotes 3 /4
Visitação: 22 de março a 14 de maio de 2017, terça-feira a domingo, das 9h às 21h,
Entrada franca
Classificação: livre

Fonte: site Brasiliaagora, Jornal de Brasilia