Quando as formas se tornam relatos

Doze artistas ocupam os espaços da CAL com várias linguagens artísticas

A exposição Quando as formas se tornam relatos, com curadoria de Ana Avelar, apresenta trabalhos de artistas contemporâneos cujo viés narrativo sobressai, como Clarisse Tarran, Dora Smék, Fábio Tremonte, Fernando Piola, Gustavo Von Ha, Jaime Lauriano, João Castilho, Laís Myrrha, Laura Andreato, Paul Setúbal, Raquel Nava e Renato Pera. Os artistas,  que atuam em Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo, vão ocupar o prédio da CAL, a partir de 23 de agosto  com propostas inéditas, apropriando-se da história e do acervo da instituição.

Diante disso, eles apresentam inúmeras formas de se contar histórias, assumindo, frequentemente, um caráter testemunhal, o que acaba constituindo esse lugar do relato entre as várias proposições. São instalações, intervenções, performances, projeções e vídeos que levam em conta a precariedade do espaço, ao mesmo tempo  que corroboram o sentido de resistência cultural da CAL.

Crítica, curadora e professora de Teoria, Crítica e História da Arte na UnB, Ana Avelar,   curou, em 2016,  a exposição Inventário: arte outra, de Gustavo von Ha (um dos artistas da mostra), no Museu de Arte Contemporânea da USP e, em 2015, lançou A Raiz emocional: arte brasileira na crítica de Lourival Gomes Machado. Foi coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Mediação do Centro Universitário Maria Antonia/USP, no mesmo período,  onde curou exposições em 2008, 2012 e 2013. É membro do corpo de curadores da CAL e, este ano, integrou o comitê de indicação do Prêmio Pipa e  foi uma das finalistas do 6º Prêmio Marcantonio Villaça.

Laís Myrrha. Delírio, 2017. Duração 10' Vídeo, cor, stereo, 4K

Sobre as obras

João Castilho comparece com o vídeo Barca aberta e  Laís Myrrha com o vídeo Delírio, produzidos este ano,  e Dora Smék com o vídeo em looping, Transborda, de 2015. Clarisse Tarran é a autora do vídeo instalação Me desculpe. Fábio Tremonte faz intervenção com cartazes  e Fernando Piola mostra a Fisiologia das paixões, que esteve em cartaz, este ano, no Memorial da América Latina/SP. Jaime Lauriano apresenta o vídeo o Brasil e Laura Andreato é a responsável  pelas instalações Gold fever, L´age  d´or  e Lastro, realizadas este ano. 

As obras inéditas ficam por conta de Gustavo Von Ha,  com o  Projeto Tarsila, desenhos sobre papel antigo sobre gravuras de Tarsila do Amaral que pertencem ao Acervo da CAL, além de objetos pessoais e o vídeo Dreamwaves, como também as instalações Alvorada, de Paul Setúbal, Passeio selvagem de Raquel Nava e o Espelhados de Renato Pera.

Sobre os artistas

Clarisse Tarran mora no Rio de Janeiro. Artista multimídia e programadora visual, sócia-fundadora da galeria Durex Arte Contemporânea (2007/2010). Participou de cerca de 60 exposições coletivas e festivais de vídeo, entre 2001/2017, em vários países.

Dora Smék. Vive e trabalha entre São Paulo e Campinas. Trabalha com performances, instalações, objetos, vídeos, áudios e fotografias, sempre abordando questões referentes aos moldes  do corpo social e seus limites. Em 2016, por meio de convocatória pública, reuniu 25 mulheres em Transbordação, no Sesc Bom Retiro (SP) e , em 2015, no evento Performance em Encontro no Sesc Campinas.

Fábio Tremonte mora em São Paulo, onde  trabalha como educador em instituições culturais. Dentre suas individuais, destacam-se Ilhas, no Museu de Arte de Ribeirão Preto, em 2010,  Nada Mais, no Ateliê 397 (SP), em 2009 e Vista para o mar no Centro Cultural São Paulo (2006).  Participou de coletivas, como o 15º Salão da Bahia no Museu de Arte Moderna da Bahia (2008) e Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2005).

Interessado nas contradições cristalizadas no  espaço público da cidade e em seus manuais, Fernando Piola realiza intervenções paisagísticas e livros de artista. Vive e trabalha em São Paulo, onde, desde 2008, vem realizando exposições individuais em museus e instituições.  Indicado ao Pipa 2015, participou de coletivas de destaque como a  Prêmio Arte e Patrimônio, no Paço Imperial (RJ), em 2014,  e  a  13ª Bienal de Istambul (Turquia), em 2013.

Gustavo Von Ha (1977) vive e trabalha entre Presidente Prudente (SP) e a capital paulista. Em 2014, ganhou o prêmio Marcantônio Vilaça, da Funarte, e foi indicado ao prêmio Pipa duas vezes. De suas exposições individuais destacam-se Inventário; Arte Outra (MAC/ USP), Heist Films (Museu Oscar Niemeyer), Dreamwaves – Antena dos Sonhos (MAC/USP) Heist Films, A Window in Berlin - Changing Project, Berlim [2013], além de outras mostras em Tóquio, Paris e New York.

Um dos cinco artistas premiados  no 6º Prêmio CNI Sesi e Senai Marcantônio Vilaça (2017), o paulista Jaime Lauriano, por meio de  peças audiovisuais, objetos e textos críticos, nos convida a examinar as estruturas de poder contidas na produção da História. Entre suas exposições mais recentes destacam-se as individuais Nessa terra, em se plantando, tudo dá, (CCBB/RJ), em 2015; Autorretrato em Branco sobre Preto (Galeria Leme/SP), em 2015 e Impedimento, no Centro Cultural São Paulo, em  2014.

João Castilho trabalha com vídeo, escultura e fotografia. Realizou exposições individuais no Instituto Tomie Ohtake (SP), Museu de Arte da Pampulha (MG), na Fundação Joaquim Nabuco (PE), entre outras. Participa, regularmente, de coletivas no Brasil e no exterior como  da 10ª Bienal do Mercosul  e o  19º Festival de Arte Contemporânea Videobrasil, em 2015,  a Bienal de Curitiba, em  2013, e a  Elóge du Vertige, Maison Européenne de la Photographie, em Paris e a Mythologies, Shiseido Gallery, Tóquio, em 2012.

A mineira Laís Myrrha (1974) vive em São Paulo. Participou da Bienal de São Paulo, em 2016, e é representada pela galeria Jaqueline Martins. Desde 1998 participa de inúmeras exposições coletivas e individuais. Em 2013/14, esteve na Caixa Cultural em Brasília com a individual Zona de instabilidade. Aqui, também, foi contemplada, em 2007, com o prêmio Atos Visuais, da Funarte. Foi indicada ao Pipa em 2010, 2012,2013, 2015 e 2016.

Dentre as exposições mais recentes de Laura Andreato (1978), estão a Le Royale (La Maudite),  em 2014, em Paris; Deslize (MAR/RJ, 2014), Paradiso (Vitrines do MASP no Metrô, 2012); Comic Sans (Centro de Cultura Contemporânea de Quito Equador, 2012) e Café Vacance (Funarte/SP, 2009). Em 2014, esteve em residência na Cité des Arts, selecionada pelo Institut Français para desenvolver o projeto Anotações sobre Jardins: Paris e arredores.

Artista visual e pesquisador, Paul Setúbal é membro do coletivo performático Grupo EmpreZa/GO. Dividido entre Brasília, Goiânia e Brasília, já ganhou vários prêmios, como do 45º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (SP), em 2017, o Marcantônio Vilaça da Funarte (com o EmpreZa), em 2015. É um dos indicados ao Pipa, deste ano.

A brasiliense Raquel Nava (1981) expõe com regularidade desde 2006. Em seu trabalho recente, Raquel investiga o ciclo da matéria orgânica e inorgânica em relação aos desejos e hábitos culturais. Possuí obras no acervo do Museu Nacional da República de Brasília, no Centro Cultural Universidade Federal de Goiás/UFG e na Fundação Boghossian em Bruxelas.

Artista multimídia, Renato Pera tem bastante interesse no  cruzamento de linguagens e disciplinas. Em 2011 participou da residência artística Red Bull House of Art (SP),  e, em 2010, do Programa de Residencias Artísticas Para Creadores de Iberoamérica y Haití en México. Propositor inquieto de obras realizadas em espaços públicos, tem concebido importantes programas nesse sentido e realizado diversas intervenções urbanas.

João Castilho. Título: Barca Aberta, 2017. Vídeo Full HD 11'52'' Som stereo

Serviço
Exposição Quando as formas se tornam relatos
Abertura: dia 23 de agosto, às 20h
Local: Casa da Cultura da América Latina (CAL)
SCS Quadra 4, Edifício Anápolis. Telefone 3107.7963
Visitação: até 9 de outubro de 2017, segunda a sexta, 9h às 19h, sábados, 12h às 19h

Brasília, 21 de agosto de 2017