Rubem Valentim

Baiano de Salvador, onde nasceu no dia 9 de novembro de 1922, Rubem Valentim iniciou seu trabalho de pintor na década de 1940, como autodidata. Entre os anos de 1946 e 1947 integrou o Movimento de Renovação das Artes Plásticas na Bahia, junto com Mario Cravo Júnior, Carlos Bastos, entre outros artistas.

Desde o início de sua produção, nota-se um forte interesse pelas tradições populares do Nordeste, como, por exemplo, pela cerâmica do Recôncavo baiano. A partir da década de 1950, o artista tem como referência o universo religioso, principalmente aquele relacionado ao candomblé ou à umbanda, com suas ferramentas de culto, estruturas dos altares e símbolos dos deuses.

Em 1957,  foi morar no Rio de Janeiro quando passou a exercer a função de assistente do professor Carlos Cavalcanti no curso de História da Arte, do Instituto de Belas Artes. Nessa época, abandonou a figuração e aprofundou sua pesquisa a partir de signos da iconografia das religiões afro-brasileiras. Sua pintura ganhou forma rigorosamente geométrica.

Em sua obra, os signos ou emblemas originalmente geométricos são reorganizados por uma geometria ainda mais rigorosa, formada por linhas horizontais e verticais, triângulos, círculos e quadrados, como aponta o historiador da arte Giulio Carlo Argan. Dessa forma, o artista compõe um repertório pessoal que, aliado ao uso criativo da cor, abre-se a várias possibilidades formais.

Sua participação no Salão Nacional de Arte Moderna lhe valeu o Prêmio Viagem ao Exterior. Residiu em Roma entre 1963 e 1966. Ainda em 1966, participou do Festival Mundial de Artes Negras em Dacar (Senegal).De volta ao Brasil, o artista passou a residir em Brasília, quando lecionou pintura no Ateliê Livre do Instituto de Artes da Universidade de Brasília, onde permaneceu até 1968. No final dos anos 1960, além da pintura, passou a realizar murais, relevos e esculturas monumentais em madeira. Em 1972, fez sua primeira obra pública, um mural de mármore para o edifício sede da Novacap,  na capital do País.

Participou da Bienal de São Paulo  em 1955, 1959, 1961, 1963, 1967, 1969, 1971,1973, 1976 e 1977; do Salão Nacional de Arte Moderna  (RJ), em  1956, 1959, 1960, 1961 e 1962 e da mostra Artistas Brasileiros, em 1961, nos EUA. Esteve na  XXXI Bienal de Veneza, em 1962;  na I Bienal Internacional de Arte Construtivista em Nuremberg (Alemanha),  em 1969; no  Panorama da Arte Atual brasileira, no  Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1969 e 1975; na II Bienal de Artes Plásticas Coltejer, em  Medellin (Colômbia), em  1970, e  na Exposição Internacional Unctad III, no   Museu Nacional de Belas Artes de Santiago do Chile, em 1972, entre tantas outras exposições.

Apesar de ser considerado um pintor construtivista, Rubem Valentim rejeitou sua filiação a qualquer corrente europeia, especialmente à arte concreta, reafirmando o caráter exclusivamente nacional de sua produção, mas, a partir de emblemas e signos religiosos, sua obra se transforma em uma simbologia construtiva consoante com a linguagem internacional.

Considerado um dos maiores artistas representantes da cultura afro-brasileira, Rubem Valentim faleceu em São Paulo, no dia 30 de novembro de 1991.

O Acervo da CAL possui uma obra do artista.

Dados sobre a obra
Sem título
Ano: 1989
Técnica: Serigrafia

Exposições da qual a obra participou:
1996 - (08/02 a 03/03) - Registro de passagem - Obras em papel (Galeria da CAL)                               
2004 - (06/04 a 30/05) - Gravuras brasileiras (Galeria Acervo)    
2008 - (15/07 a 30/08) - A utopia da modernidade: de Brasília à Tropicália  (Museu Nacional do Conjunto. Cultural da República)                               
2012 - 50 anos da UnB (Foyer do Teatro Nacional) - seleção de obras do Acervo                         
2013 - (18/05 a 30/6) - Acervo em pensamento, uma proposta curatorial  (Galerias CAL,  Acervo e de Bolso)
2014  -  (11/6 a 27/7) -  Gravuras do Acervo (Museu dos Correios)                          
2015 - (04/11 a 17/11) - Impressionante: Gravuras e gravadoras da UnB (Galeria Acervo  da CAL)

Fonte: sites Itaú Cultural, Escritório de Arte, E-Biografia e UOL

Brasília, 20 de março de 2017